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Reflexão sobre opostos
“... Todo aquele que tenta resolver o problema dos opostos num nível pessoal está fazendo uma significativa contribuição para a paz mundial”.
C. G. Jung
Tudo o que existe no universo está em um movimento dinâmico e interligado, em um fluxo constante e ininterrupto de energia.
A totalidade do universo se manifesta em polaridades, em que os opostos interagem entre si, representando aspectos de uma mesma energia, que circula entre os dois pólos. A existência de uma polaridade implica na existência da outra, pois são essencialmente idênticas, mas possuem intensidades diferentes. Exemplos disto são as polaridade amor – ódio, calor - frio, medo - coragem.
Percebemos que convivemos com opostos e estamos inseridos em movimentos e mudanças constantes.
Nesta visão, as verdades são parciais, porque tudo se transforma continuamente, em interações constantes e paradoxais.
Todos os paradoxos podem ser reconciliados na medida em que se considera a complementaridade dos opostos. Esta compreensão supõe a aproximação vivencial com a realidade, que não se constitui em uma verdade imutável.
A compreensão paradoxal favorece o processo de individuação, pois amplia a consciência, leva o ser humano a estabelecer um equilíbrio saudável e harmônico entre sua natureza interior e suas possibilidades de atuação dentro de seu contexto, além disso, aumenta a compaixão, a tolerância e o desapego.
O trabalho analítico da psicoterapia pode auxiliar o ser humano para que tudo isto aconteça de maneira mais fácil e positiva, pois favorece que ocorra uma reflexão adequada sobre as múltiplas possibilidades. Assim, é possível transcender as polaridades, evoluir e atingir uma nova posição, na qual a dinâmica se mantém viva, mas não se fixa de maneira doentia em nenhum ponto.
Isso pode ser feito com técnicas de psicoterapia que envolvem um trabalho com símbolos. Eles são em parte conscientes e em parte inconscientes, além disso, contem forte carga energética, que é proveniente da tensão, do conflito e da interação entre as polaridades. A medida que ampliamos a consciência podemos gerar movimentos positivos, criar novas possibilidades e favorecer o desenvolvimento do indivíduo.
Concluímos que a vida se compõe de eternos re-começos, como ilustra o poema a seguir:
“O que chamamos de princípio é quase sempre o fim
E alcançar um fim é alcançar um princípio
Com o impulso deste Amor e a voz deste Apelo
Não cessaremos nunca de explorar
E o fim de toda nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida
E o lugar reconhecer ainda
Como da primeira vez que o vimos”
T.S.Elliot
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
CAPRA, F. O Tao da Física. São Paulo: Cultrix, 1983
JUNG, C. G. A Natureza da Psique. Petrópolis: Vozes, 2000.
JUNG, C. G. O Segredo da Flor de Ouro. Petrópolis: Vozes, 2001.
WHITMONT. E.C. A Busca do Símbolo. São Paulo: Cultrix, 1969.
Patrícia Bertaglia
CRP 06 / 46437
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Junguiana, Pesquisadora, Educadora , Consultora Organizacional e Membro da ABRAPE
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