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Emoções e Conflitos

  •  As emoções e o desenvolvimento do ser humano
Podemos dizer que as emoções são reações psíquicas involuntárias aos acontecimentos que afetam o indivíduo. Elas estão profundamente enraizadas na matéria pesada do corpo, portanto não são tão manejáveis como as idéias e os pensamentos. Assim, muitas vezes, as emoções se sobrepõe ao controle consciente e surgem acompanhadas de sintomas físicos ou distúrbios de pensamentos. Isso ocorre principalmente quando as emoções são ocasionadas por complexos ativos.
Qualquer processo de tipo emocional pode ser contagioso, pois imediatamente origina processos semelhantes nas outras pessoas. Isso é possível notar em multidões que são levadas por determinada emoção. Nestas circunstâncias, as pessoas envolvidas dificilmente conseguem evitar serem contagiadas e tem a impressão de que todo seu ser foi percorrido por um fluxo de energia que mobilizou seu corpo, sua mente e seu espírito. Para citar um bom exemplo disso, temos a situação em que um grupo de pessoas se alegra e solta gargalhadas, então as outras pessoas que estiverem próximas são levadas a rirem também, esse é um impulso dificilmente controlável.
Nem todas as emoções são vivenciadas de maneira positiva, algumas podem induzir a atitudes desastrosas. Portanto, convêm que se desenvolva um certo controle emocional. Neste sentido, é preciso ampliar a consciência, desenvolver algumas habilidades e estratégias criativas, que podem auxiliar as pessoas a serem mais equilibradas e conseguirem unir satisfatoriamente sua natureza interior com os padrões sociais e culturais vigentes.
Ao longo da história da humanidade, o ser humano foi aprendendo maneiras de lidar com suas emoções. Houve épocas de grande repressão e épocas de maior permissividade. Ainda há muito o que aprender, portanto considero de fundamental importância a “educação emocional” que é transmitida por pais e educadores de maneira indireta, isto é, através de exemplos e demonstrações. Também devemos levar em consideração que, geralmente, as crianças imitam a postura e as atitudes dos mais velhos, mas nem sempre seguem suas orientações verbais.
 
 
  • As emoções e os brasileiros
Para fazer uma análise da maneira como os brasileiros estão lidando como suas emoções, é preciso recorrer a minha experiência profissional como psicóloga e recorrer a dados de pesquisas feitas sobre o “perfil da brasilidade”, compreendida como “o conjunto dos traços peculiares ao estilo cultural, estético e comunicativo dos brasileiros”.
Refletindo sobre estas informações, concluo que a cultura brasileira favorece a expressão e a reflexão sobre as emoções vivenciadas, o que proporciona aos brasileiros o desenvolvimento de certas habilidades, principalmente em questões ligadas a relacionamentos amorosos, familiares e de amizade e relacionamentos comerciais que envolvem atendimento ao cliente e comunicação interpessoal, o que os tornam mundialmente conhecidos por sua simpatia, cortesia nos negócios, flexibilidade e adaptabilidade. Contudo, noto que há nos brasileiros, certa predominância de um “complexo cultural de inferioridade”, que por sua vez, gera a vivência de emoções ligadas a autoestima rebaixada; supervalorização de culturas estrangeiras em detrimento da nacional e necessidade de levar vantagem em tudo, como forma de reagir contra a desvalorização. Em todos estes aspectos, ficam evidentes as influências das economias capitalistas ocidentais e das tradições históricas e culturais herdades pelos brasileiros, de seus antepassados - índios, europeus e africanos.
 
  • As emoções vivenciadas por homens e mulheres
Podemos perceber que as diferenças na vivência das emoções em homens e mulheres se deve, basicamente, a educação cultural, momento histórico e repertório de vida de cada um.
Na história ocidental as mulheres tem sido educadas e influenciadas para expressarem mais suas emoções, o que lhes permitiu desenvolverem maior habilidade neste aspecto. Já com os homens, houve grande repressão neste sentido, não era considerado adequado que eles expressassem emoções de ternura ou sensibilidade, podiam apenas expressar emoções ligadas a bravura, força, agressividade. Inicialmente, esta repressão pode tornar o homem inibido e aparentemente apático, contudo quando atinge a maturidade e sente que já passou da metade da vida, apresenta super sensibilidade e emotividade. Caso seu meio social e cultural seja receptivo a isso ele poderá viver uma vida mais completa e coerente com sua natureza interior, no contrário poderá se tornar depressivo, intolerante ou vulnerável a jogos afetivos.
Atualmente, notamos uma igualdade, cada vez maior, na educação transmitida aos homens e as mulheres, assim os problemas emocionais que apresentam são relativamente parecido.
Os estudos sobre psicologia que foram desenvolvidos no século passado indicam que a repressão das emoções não faz com que elas desapareçam e sim com que permaneçam obscuras, pouco elaboradas, cristalizadas e acumulando energia. Então, pode ocorrer que quando a pessoa está debilitada e suas defesas estão baixas, seja por cansaço, problemas de saúde, preocupações ou tristezas, estas emoções irrompem e podem se expressar de maneiras inadequadas ao contexto. 
A medida que, tanto os homens quanto as mulheres, ampliam o auto conhecimento, desenvolvem flexibilidade, habilidades para buscar informações e articular os dados obtidos criativamente, conseguem transcender os opostos, estabelecendo novos paradigmas. Com isso é possível expressar mais assertivamente os verdadeiros sentimentos e vivenciar as emoções de maneiras positivas e harmônicas.
 
    
  • As emoções e os conflitos
É natural do ser humano desejar, fazer escolhas e decidir sobre seu destino, isso é feito de maneira individual e coletiva. É importante levarmos em consideração que o ser humano é um ser social, portanto é importante que viva em harmonia com seu grupo e principalmente com seus pares.
Quando os desejos estão em conflito com questões internas ou externas, podem gerar emoções conflituosas ou constrangedoras. Os conflitos aumentam a medida que são mantidos padrões rígidos e pouco articulados com as verdadeiras necessidades humanas e diminuem com a ampliação da consciência, da flexibilidade e da criatividade.
Assim, podemos dizer que os conflitos surgem da tensão de idéias e sentimentos opostos, eles são carregados de emoções condizentes com as características das questões que estão em oposição. De acordo com a Psicologia Analítica, os conflitos podem evocar a função transcendente e criativa dos símbolos, que equilibram questões opostas.
 
 
  • As emoções e a psicoterapia
Em meus atendimentos no consultório, noto que a maioria dos pacientes apresentam dificuldades para vivenciar suas emoções. Através da análise psicológica, percebemos que as maneiras como cada pessoa vivencia suas emoções são determinadas pelo tipo psicológico, pela educação cultural e fundamentalmente pelos objetivos que pretende atingir.
Os problemas mais freqüentemente encontrados na clínica psicológica envolvem enormes distúrbios emocionais ocasionadas por alienação, stress crônico, ansiedade e depressão. Na maioria dos casos, estes problemas ocorrem porque as pessoas são precipitadas e se dispõe a enfrentar situações para as quais ainda não estão devidamente preparadas. Há muitos fatores que estimulam as pessoas a se arriscarem tanto, entre eles podemos destacar a competitividade no mercado de trabalho; o fácil acesso a propagandas de produtos de consumo; a facilidade para obtenção de créditos para compra de mercadorias e a liberdade de escolha que as pessoas tem nos relacionamentos amoroso.
No consultório de psicologia, podemos notar que as pessoas que fazem psicoterapia estão dispostas a ampliar suas habilidades para lidar com suas emoções e conseqüentemente ampliar suas possibilidades de escolhas. Contudo, a maioria destas pessoas são apegadas a padrões rígidos e muitas vezes inadequados ao contexto em que vivem, além disso, também tem pouca tolerância a frustração e muita pressa em obter definições, soluções e certezas. Isso faz com que adotem atitudes precipitadas que são determinadas por seus complexos.
O trabalho psicoterapeutico feito com o uso dos símbolos proporciona aos pacientes soluções alternativas para articular melhor suas emoções e resolver seus conflitos de maneira satisfatória. Este trabalho envolve técnicas expressivas, desenvolvimento de habilidades de negociação, desbloqueio da criatividade e ampliação da consciência. Este é um processo de confrontação entre elementos contrários, que tem o caráter de totalidade. Trata-se de uma maneira de encontrar formas de harmonizar a natureza interior de cada indivíduo com os aspectos de seu contexto. 
 
 
Patrícia Bertaglia
CRP 06 / 46437
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta Junguiana, Pesquisadora, Educadora , Consultora Organizacional e Membro da ABRAPE
 

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